Um diagnóstico detalhado sobre "Habitação para o Desenvolvimento Econômico de Brusque" foi apresentado nesta quarta-feira, revelando projeções significativas para o futuro do município. O estudo, conduzido pelo Instituto de Desenvolvimento Econômico Local (Instituto DEL) em parceria com a Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (FACISC) e a Prefeitura de Brusque, analisou a relação intrínseca entre planejamento urbano, políticas habitacionais e o crescimento econômico.

As projeções indicam que Brusque poderá superar a marca de 260 mil habitantes até o ano de 2050. Este aumento populacional, que já quadruplicou a cidade em cinco décadas – passando de 35,2 mil em 1970 para um número significativamente maior atualmente –, exerce uma pressão crescente sobre a infraestrutura e, especialmente, sobre a demanda por moradias. Entre 2017 e 2022, a migração para a cidade adicionou cerca de 14 mil novos residentes, impulsionando a economia, mas também acentuando o desafio habitacional.

Atualmente, Brusque registra um déficit habitacional estimado em 4.660 moradias. Caso as condições de oferta permaneçam as mesmas, esse número pode agravar-se para até 7.815 domicílios em falta nas próximas décadas. O principal componente desse déficit é o comprometimento excessivo da renda das famílias com o pagamento de aluguéis, respondendo por 77,6% do problema. Outros fatores relevantes incluem a coabitação familiar, o adensamento excessivo em imóveis alugados e a existência de moradias em condições precárias.

O setor da construção civil em Brusque tem acompanhado o crescimento da cidade, com um aumento expressivo no número de empresas e empregos formais. O estudo aponta que investimentos em habitação podem gerar um impacto econômico positivo considerável. Uma simulação sugere que um investimento de R$ 25 milhões na construção de 100 moradias poderia movimentar aproximadamente R$ 45 milhões na economia local, indicando um retorno de R$ 1,80 para cada R$ 1 investido. O presidente do Instituto DEL, Alexsandro Bastos, ressaltou que o diagnóstico é uma oportunidade para a união de setores na busca por soluções para o déficit habitacional.