Um estudo recente, fruto da colaboração entre o Instituto de Desenvolvimento Econômico Local (Instituto DEL), a Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (FACISC) e a Prefeitura de Brusque, apresentou um diagnóstico preocupante e ao mesmo tempo promissor para o futuro do município. O evento, realizado na Uniasselvi, reuniu autoridades, empresários e lideranças comunitárias para discutir o impacto do planejamento urbano e das políticas habitacionais no desenvolvimento econômico de Brusque.
Os dados revelam que a cidade, que quadruplicou sua população nas últimas cinco décadas, pode ultrapassar a marca de 260 mil habitantes até 2050. Atualmente, Brusque enfrenta um déficit habitacional de 4.660 moradias, um número que pode escalar para 7.815 domicílios nas próximas décadas se a oferta de imóveis não acompanhar a demanda. O principal fator desse déficit é o alto comprometimento da renda familiar com aluguéis, representando 77,6% do problema, além de coabitação, adensamento excessivo e moradias precárias.
A expansão de Brusque é notável: em 1970, contava com cerca de 35,2 mil habitantes, e a estimativa para 2025 é de 155,3 mil. Entre 2017 e 2022, o município recebeu aproximadamente 14 mil novos moradores, impulsionando a economia, mas também aumentando a pressão sobre a infraestrutura e a necessidade de moradias. Paralelamente, o setor da construção civil demonstra um crescimento robusto, com o número de empresas quase quintuplicando entre 2006 e 2025 e os empregos formais mais que triplicando no mesmo período.
O estudo também aponta que investimentos em habitação podem gerar um retorno econômico significativo. Uma simulação indica que R$ 25 milhões em construção de 100 moradias poderiam movimentar cerca de R$ 45 milhões na economia local, com um retorno de R$ 1,80 para cada R$ 1 investido. Diante desse cenário, o diagnóstico propõe uma união de esforços entre o poder público, o setor empresarial e a sociedade civil para criar soluções habitacionais, como o programa Casa Catarina e a possibilidade de empresas construírem moradias para seus funcionários, visando amenizar o déficit e garantir o desenvolvimento sustentável da cidade.

