A cidade de Brusque, em Santa Catarina, celebra um marco na gestão de resíduos com o início da operação da Ciclare, a primeira planta de reciclagem mecanizada com tecnologia inédita no país. A unidade tem a impressionante capacidade de processar até 800 toneladas de resíduos urbanos por dia, representando um avanço significativo na busca por soluções ambientais mais eficazes e sustentáveis.

Eduardo Mufarej, co-CIO da Just Climate, controladora da operação, destacou a importância de enfrentar a realidade dos resíduos no Brasil, onde lixões e aterros inadequados ainda são comuns. "É uma tecnologia que não existe no Brasil. Nos dispusemos a enfrentar uma realidade à qual é muito difícil se acostumar: a de não ter tratamento adequado de resíduos e conviver com a cultura de lixões e aterros que não se alinham às melhores práticas do mundo", afirmou.

A Unidade de Triagem Mecanizada (UTM) utiliza sistemas ópticos e magnéticos combinados com processos mecânicos para identificar e separar materiais com alta precisão. Essa abordagem inovadora permite a recuperação de recicláveis diretamente do lixo comum residencial, ampliando a oferta de insumos para a cadeia produtiva sem interferir na coleta seletiva ou no trabalho dos catadores. A expectativa é de evitar a emissão de cerca de 33 mil toneladas de CO₂ equivalente anualmente, além de prolongar a vida útil de aterros sanitários e diminuir a necessidade de extração de recursos naturais.

A Ciclare planeja destinar aproximadamente 25% dos resíduos processados — como alumínio, materiais ferrosos e plásticos — para clientes industriais, através de contratos de longo prazo. Os resíduos orgânicos serão enviados a um aterro sanitário parceiro, onde o biogás gerado será aproveitado para a produção de energia elétrica, suprindo parte da demanda da própria planta de reciclagem. O projeto contou com investimentos significativos, incluindo R$ 117 milhões do BNDESPAR e R$ 116 milhões do BID Invest, além de recursos da Just Climate.