A luta contra o câncer é uma realidade que transforma a vida de muitas famílias brasileiras, impondo desafios diários, mas também revelando histórias de força e superação. Em Brusque, Santa Catarina, Marli Raquel Schlindwein, de 48 anos, personifica essa resiliência ao enfrentar seu terceiro diagnóstico oncológico, sem jamais abandonar os sonhos e projetos de vida.

Sua jornada contra a doença começou em 2015, aos 37 anos, com um tumor maligno no rim, que exigiu a remoção do órgão. Em 2021, o diagnóstico de câncer de mama a forçou a passar por uma mastectomia total da mama direita e iniciar a quimioterapia. Durante esse período, complicações levaram a uma trombose, deixando sequelas permanentes. A perda dos cabelos, um abalo significativo para sua autoestima, somada às mudanças físicas das cirurgias, testaram sua força interior.

Em janeiro de 2026, um novo desafio surgiu com a descoberta de metástase no fígado, ligada ao câncer de mama. Atualmente, parte de seu tratamento ocorre em Blumenau, onde as sessões frequentemente a deixam debilitada. Contudo, Raquel mantém uma postura de gratidão, reconhecendo o apoio fundamental recebido do Sistema Único de Saúde (SUS), da Prefeitura de Brusque, que providencia seu transporte, e da Rede Feminina de Combate ao Câncer local.

A mobilização comunitária se mostrou crucial, especialmente diante dos altos custos com medicamentos. Um único remédio chegou a custar R$ 14 mil, com despesas totais ultrapassando R$ 20 mil. Uma campanha de vaquinha virtual auxiliou na aquisição emergencial, e parte das medicações passou a ser fornecida pelo SUS. Mesmo diante da complexidade clínica, Raquel cultiva objetivos simples, como a construção de uma nova casa em seu terreno e a expectativa de ver as obras da nova Beira Rio se concretizarem, demonstrando que há espaço para planos e vontade de viver.