Uma moradora do bairro Steffen, em Brusque, procurou a reportagem de O Município para denunciar uma situação ocorrida na Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro que chegou a envolver a Polícia Militar.

Segundo a mulher, que preferiu não se identificar, ela faz acompanhamento médico há três anos por conta de um problema na mama que ainda não foi diagnosticado. Em março de 2026, após uma consulta na unidade, foram solicitados novos exames.

Para acelerar o processo, alguns dos exames foram realizados de forma particular. Com os resultados em mãos, ela foi até a UBS na última sexta-feira, 7, para apresentá-los.

“Eles me informaram que só teriam vaga para verificar os meus exames em outubro. Questionei eles e disse que isso não existia. Eu já estava desde março correndo atrás de exame e fazendo consulta, e ainda tenho que esperar até outubro? Eles me disseram que não podiam fazer nada”, disse a moradora.

Segundo ela, após o desentendimento, decidiu retornar à unidade na segunda-feira, 10.

“Segunda-feira, às 7h20 da manhã, mais ou menos, eu já estava na UBS e eles me negaram o atendimento. Vieram dizer que era desacato à autoridade e eu gravei a situação. Eu estava simplesmente questionando meus direitos como cidadã. Eu sei que a saúde é um direito constitucional de todos, que não pode ser negado atendimento.”

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A moradora relata que, naquele momento, os servidores ameaçaram acionar a Polícia Militar. Ela respondeu afirmando que “não tinha problema nenhum com isso” e que também acionaria a polícia porque estavam “negando atendimento” a ela.

A equipe policial foi até o local e registrou um boletim de ocorrência envolvendo as duas partes. Além disso, a moradora afirmou que oficializou uma denúncia na Ouvidoria, mas não foi atendida no momento.

“Os policiais conversaram lá, viram a pilha de exames que eu tenho e conseguiram que fosse marcado para esta quinta-feira”, relatou.

A moradora conseguiu realizar a consulta nesta quinta-feira, 13, mas reforçou, em conversa com a reportagem, que acredita que não teria conseguido o atendimento se não fosse pela atuação da Polícia Militar e pelo registro do boletim de ocorrência.

No vídeo gravado pela moradora quando retornou à UBS na segunda-feira, 10, é possível ver uma discussão entre ela e uma servidora da unidade.

A mulher sustenta que precisava ser atendida naquele momento e que, desde a sexta-feira, 7, estavam “negando” atendimento a ela. “Eu preciso ser atendida, é um direito constitucional meu e vocês não podem me negar atendimento”, diz a moradora no vídeo.

A servidora contesta, afirmando que a apresentação dos exames se trata de uma consulta de retorno e, portanto, precisa ser agendada, não ocorrendo no momento em que o paciente chega à unidade. “Não estamos te negando atendimento, estamos te oferecendo agendamento para a data que tiver consulta”, diz a servidora.

Em determinado momento, a servidora afirma que a situação caracteriza desacato a funcionário público e aciona a Polícia Militar por telefone.

“Eu não estou desacatando funcionário público, eu só estou exigindo um direito meu”, diz a moradora.

O Município entrou em contato com a Secretaria de Saúde de Brusque para questionar os critérios adotados para o agendamento das consultas.

Em resposta, a secretaria afirmou que, devido à alta demanda, os agendamentos de consultas eletivas podem, eventualmente, ocorrer em datas mais distantes. Segundo o órgão, trata-se de atendimentos de caráter eletivo que, em determinadas situações, podem aguardar.

“Existem situações em que o paciente, ao informar o motivo pelo qual solicita a antecipação da consulta, é acolhido pela equipe como demanda espontânea. Nesse momento, é realizada a escuta qualificada, possibilitando à equipe compreender a situação apresentada pelo paciente, como, por exemplo, a existência de exames realizados há algum tempo, o surgimento ou agravamento de alguma queixa ou outra condição clínica que justifique a necessidade de avaliação antecipada”, disseram.